segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Comemorações Hipócritas

Estamos tão cheios de comemoração nessa época do ano, comemorando nossos salários altos. Presenteando quem amamos, gastando nosso esperado dinheiro. Somos hipócritas num mundo onde as pessoas são tão boas uma com as outras... Chega tenho uma vontade incontrolada de rir, dessa situação constrangedora. Natal, ano novo. Vamos levantar os braços e comemorar o nascimento do menino Jesus, comemorar 365 dias bem vividos e cheios de lembranças vivas. Vamos gastar nosso suor, e utilizar nosso melhor vocabulário para desejar afetuosos votos de felicidade. Volto ao ponto da hipocrisia, onde todos se tratam tão bem. Vivemos em nossas cascas, aonde ninguém chega, ninguém toca, só arranha a quitina. Somos tão fortes e orgulhosos, volto a minha falta de educação de não conseguir segurar a risada destes momentos incríveis. FELIZ NATAL, FELIZ ANO NOVO. Há, te peguei... Não lhe desejo nada disso, lhe desejo dinheiro, para que possa ter saúde e felicidade no próximo ano, que vai chegar e passar como se não fosse um amante, como se não fosse ninguém... Trate-o como tal, como um dia normal.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Nascido, Descoberto, Morto

Sou nascido do couro,
Criado com sangue,
Alimentado com palavras
Adestrado com leis,
Imobilizado pelo dinheiro
Carregado pelo vento
Encoberto de desejos
Liderado pelos olhos
Cobiçado pelo chão
Querido pelos pássaros
Detestado pelos lobos.
Descoberto pelo homem
Amado pela mãe
Embebido por veneno
Embriagado de emoção
Vivido de lagrimas
Levando um coração.
Calçando o desequilíbrio
Vestindo a desilusão
Bebendo melancolia
Respirando satisfação.
Viajando pelo tempo
Caçado pelos predadores
Servindo de alimento aos hipócritas
Voando pelo mundo
Construindo meus sonhos
Destruindo meu passado
Morrendo de velhice
Sufocado pelas lembranças
Amargurado com você
Entristecido com os deuses
Aborrecido com o sol
Admirado com a lua
Satisfeito com os dias que demoraram a passar.
Envolvido pelo conhecimento que me trouxe ate aqui.
Morto pelo céu...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vermes

Olha os vermes, que comem nossa carne
Dilaceram nossos olhos
Quando não estamos mais aqui, para usá-los
Sugam nosso sangue, deliciam-se com nossas fezes.
Olha os vermes famintos, destruindo nossos dedos
Bebendo nosso suor...
Nossa alma fica intacta?
Intocada pela impureza de seus dentes?
Não caminho mais nem sinto a brisa marinha.
Parei de respirar, sem perfumes.
Esqueci de olhar o encontro do rio com o mar
Não lembrava mais como sorrir
Não sabia mais o eu era viver.
Os vermes tiraram tudo de mim, levaram tudo
Alem do paraíso.
Não tenho mais moradia.
Nem esperanças.
Tenho um nome, que foi deixado para traz,
Esquecido outrora, na curva de um rio.
A estrada que trilhei, não sente meus pés.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Dayane

O solo de sax, que embriaga minhas noites.
As notas do piano, que embalam meu sono.
Os acordes de um violão clássico, que por ventura animam meu dia.
Os estrondos dos tambores, que aceleram meu coração.
As flautas animadas, que me fazem dançar.
A musica de minha vida... É você

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Os poetas

Os poetas quando nascem, trazem consigo lembranças de outras vidas, de sua estadia no purgatório, seus medos mais intensos. Quando imortalizam suas palavras em versos perigosos, sabem que entrarão em colapso. Na grande maioria das vezes só querem dizer adeus, já estou indo.
Por que os poetas, malditos, morrem cedo, amaldiçoados, condenados a sofrer. Sem nem entender o porquê de terem vindo ao mundo, e de terem tanta fome de mostrar a ele o quão confusos estão. Eles sofrem por saberem que vão sempre ser palavras juntas em versos sujos. Constrangidos por um estilo de vida confuso, coagidos a agir de forma estranha, por não quererem cortar o cabelo, por fumarem escondido, por encher a cara, por Simplesmente por tudo e um pouco mais em pautas estreitas de um caderno entediado e rabiscado.
Os poetas querem dizer a você que o gosto agridoce da loucura é embriagante, gostoso e vicia. Por saberem que o tédio domina e pode ser capaz de suprimir a criatividade. ÓCIO os poetas gostam de ócio...
Sabe aqueles poetas que acordam tarde, tomam uma xícara de café tão grande que qualquer outro mortal, só voltaria a dormir no dia seguinte, mas eles voltam, dormem até o anoitecer. Suspeito, que os poetas não sejam nada além de carne e osso, como entendem tão a fundo as dores do homem, e a exibem de forma tão teatral, eu não sei, e talvez nem queira entender o porque...
Os poetas são palhaços estranhos, risonhos, que aparecem nos pesadelos.
Os poetas são Poetas e ponto final, sem explicações... Adeus! Já estou indo...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pedagogia da autonomia (Paulo Freire)

"Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no mover-me no mundo e se careço de responsabilidade não posso falar em ética. Isto não significa negar os condicionamentos genéticos, culturais, sociais a que estamos submetidos. Significa reconhecer que somos seres condicionados mas não determinados. Reconhecer que a História é tempo de possibilidade e não de determinismo, que o futuro, permita-se me reiterar, é problemático e não inexorável."

domingo, 14 de dezembro de 2008

Domingo à tarde

Domingo à tarde, umas cervejas, uns cigarros, uns bocejos.
Você sabe que é domingo, quando espera a segunda-feira chegar desesperado, rancoroso... Espera seu trabalho orgulhoso, de sua mecânica angustiada, Sua vontade louca de ser alguém, quando não é ninguém. Você sabe que é segunda-feira quando o domingo passou, e nada fez. Ficou sentado sozinho em uma rede, lendo um livro que outrora fora esquecido nas prateleiras de poesia de sua casa, tão estranha hoje. Você sabe quando a sexta-feira chega quando olha nos olhos alheios e encontra felicidade. Ela passa tão rápido quanto todos os dias, o único dia que você não acorda esperando o dia de amanhã, sonhando com o ontem. Mas hoje é domingo, estou sozinho, tremendo de frio. Pois é quase noite e eu não coloquei uma roupa, não sai do quarto, não beijei ninguém nem darei boa noite quando For dormir. E o ciclo é uma constante física anormal e sem graça.

Cortejo

Esse cortejo venenoso
Onde a promiscuidade
Dos olhos alheios dançam
Em seus seios fartos.

Perdição, fome da carne,
Quero sentir a carne rasgar
Sob meus dedos, ligeiros.
Quero beijar seus lábios
Quero sentir seu perfume
Seduzir você a morte.

Trazer pro meu cubículo
Toda essa decência
Essa estranheza
Esses desejos de alma
Essa vontade de te cortejar
De te amar.

Eu sou apenas um homem
Você uma linda mulher
Quero amar suas entranhas
Segurar seu cabelo
Beijar sua face.

Venha ate mim, sinta
Deseje meu corpo
Humano, nem um pouco divino
Toque meus músculos
Sinta-se atraída pela força
Delire com minha sujeira
Sinta meu regozijo por você.

Que alegria inebriante
Respire o mesmo ar que eu, viva comigo
Sinta meus olhos pousarem em seu sexo
Sinta-se possuída, querida.
Oh minha querida.

A nossa vida não é só isso
Nossa alma não quer mais álcool
Nossos pulmões nem um pouco mais de tabaco
Queremos mais vida, mais amor.

Contemple meus olhos

Contemple a escuridão em meus olhos, perceba que não existe brilho nenhum, perceba que eu não te amo, perceba que sou puro ódio, analise meu rosto sem expressão, sinta o cheiro da morte. Sinta o gosto de pólvora, use seu tato e sinta as agulhas da pele,use sua visão para me ver no chão, Derrotado. Eu lhe convido a valsar essa loucura, cavalgar esse medo, destruir a racionalidade.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Elemento Vital

Eu nunca sei se este é o ultimo sol que vou desfrutar em minha vida, por isso tenho que aproveitar cada partícula, minuto, segundo. Tenho que viver não como se estivesse fazendo fotossíntese, Mas sim como se eu fosse a fotossíntese, um elemento vital para a vida. Rir e lutar todos os dias devo advertir aos poucos que se admiram pelas bobagens que eu posso redigir, que não se preocupem. Eu vou viver, e quando morrer, não vou baixar a cabeça irei olhar o horizonte me chamar e sorrirei ao novo dia.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Bêbado amargurado

Sou um bêbado amargurado
Arrependido pelo alcoolismo do pai
Tive ancia de vomito
Asco mortal
Me arrependo de muita coisa
Mas nem tudo é normal

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Azedume (los hermanos)

Dentre varias musiquetas, escolhi esta como minha favorita, mostra um pouco de como eu me sinto, as vezes... como me senti por muito tempo, antes de conhecer pessoas e cultivar amizades novas... Eu sou imprevisivel, e as vezes me arrependo do que faço... mas certas atitudes infantis não tem volta, aquele frio na barriga, aquele desgosto... o azedume do meu peito... queria dizer que eu gosto das pessoas que me rodeiam, por mais que sejam poucas, gosto de todos vocês... com respeito eu trato minha dor, e digo a vocês poucos leitores, arrependimento é bom, engrandece a alma.


Tire esse azedume do meu peito
E com respeito trate minha dor

Se hoje sem você eu sofro tanto
Tens no meu pranto a certeza de um amor,

Sei que um dia a rosa da amargura
Fenecerá em razão de um sorriso teu

Então a usura que um dia sufocou minha alegria há de ser o que morreu

Dai-me outro viés de ilusão
Pois minha paixão tu não compras mais com teu olhar

Leva esse sorriso falso embora
Ou fale agora que entendes meu penar

A lágrima que escorre do meu peito
É de direito pois eu sei que tens um outro alguém

Mas peço pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares
Faça por que te convém

O preço (engenheiros do havaii)

"E agora eu pago os meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Eu pago os meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era a liberdade
Mas na verdade eram as grades da prisão
Mas na verdade eu me enganei outra vez...
Mas na verdade era só solidão..."

Como termina?

Tudo termina, sem explicações
Meu desejo, meu amor
Todo o papo:
“tudo para dar certo”
não foi lembrado
Tanta frieza e distancia
Tanto afago, tantos versos
Fomos duas pessaos que se olharam com carinho
E com tal carinho, dormiamos um sono profundso,
em algum momento eu te quis e insisti
Mas agora, o vazio das entranhas não quer ninguem...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Eu, o poeta

Sou um poeta desumano
Amargurado pelo tempo
Amaciado pelos desejos
Carente, sonolento, desatento
Eu tremo um pouco
quando estou ao lado da morte.
Meus ideais perdidos em paginas em branco
Minhas lembranças esquecidas num caderno
Envelhecido e amarelado pelo tempo
Que não perdoa os velhos amigos
Que se afastam e jamais voltam.

Sou o poeta desgraçado
Que não sabe por que escreve
E não tenho motivos para isto.
Derrubo meus sentimentos
No chão, para depois catar...

Sou um completo perdido
Não chego nem a ter experiências
Concretas de vida, mas adoro falar da morte
minha amiga e companheira
Que ate hoje não me abandonou

sábado, 29 de novembro de 2008

Uma tacada de sorte

Uma tacada de sorte
Um as na manga
Aquela baforada fedorenta
Daquele cigarro de palha
Quatro jogadores
Um pouco de sangue nas cartas.
Dinheiro sujo
E um pouco mais de cigarro de palha.
Uma bebida para esquentar
Nervos a flor da pele
Alguém assoviando no fundo do bar
Toda a tensão do pôquer
Da mulher apostada.
A derrota, a morte.

Recife(final)

Sou o maior dos poetas falidos
Sem futuro nesse chão batido
De terra massapê
Aonde a cana nasce em abundancia.
Sinto o cheiro fétido das ruas da cidade grande
O cheiro da maré cheia, do sargaço.
Oh Recife, Minha pátria...
Ergo minha bandeira da amargura
Com corda de loucura
Pronta para me enforcar.

Passeio de ônibus, pelo Cais de Santa Rita,
Escuto o baque repetido dos maracatus
Na grandiosa Rua da Moeda
Leio João Cabral de Melo Neto
Nos becos do Mercado de são José.

Nossas praias poluídas
De inestimável beleza.
Nosso endemismo popular,
Cultura miscigenada.
Ódio perambula nos olhos alheios
O pobre sertanejo severino.
Tantos caranguejos, oh Josué.

Recife não tem nada, não dá o ar de sua graça.
Para míseros guerrilheiros holandeses
A pátria nasceu aqui, ou em qualquer lugar.
Oh linda vista, tão poluída e asquerosa
Cheia de ratos e cobras,
Leões rugindo tão alto.
Nova Roma de fracos guerreiros
Que lutam por suas vidas miseráveis
No Bairro da Boa Vista...

Suas cores e listras tão vivas
Suas crianças, amantes.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Up The Iron

Eu não posso acreditar, meus sonhos de menino, vão se realizar... IRON MAIDEN, em uma cidade tão fétida e pequena como Recife... é impossível acreditar, mas ta no site oficial... “Que brincadeira de mal gosto” eu penso relutante... Mas minha cabeça explodida no teto do quarto mostra como isso é real, musicas como “Brave new world” estão ecoando em minha mente a algumas horas... uma musica mal falada como “Lord of the flies” ate uma musica desconhecida e sem noção ecoa em minha mente... qual vai ser o setlist? Quais vão ser as conseqüências? Eles vão tocar “Mother Rússia?” “flight of icarus?” “cought somewhere in time?”
Meu aniversario é só uam semana antes do show... e esse vai ser o meu presente mais perfeito... estar com meus melhores amigos, arraigados e pulando feito loucos ao som de “fear of the dark” gritando “up the iron” correndo de um lado para o outro, ASSISTINDO SIR BRUCE DICKINSON, babando MR. Dave Murray, Admirando todos os Irons...
A DONZELA VAI TREMER NAS BASES, QUANDO GRITAR “SCREAM FOR ME BRAZIL” E ESCUTAR UMA RECFE ENSURDECEDORA... recife não é a mesma, desde o show do Nightwish, eu não sou o mesmo, Mas Iron Maiden é outra coisa...
Cansei de escrever, e descrever minha loucura...
2 MINUTES TO MIDNIGHT todos cantando junto, e fazendo os “oh oh oh” caralho IRON MAIDEN EM RECIFE...
Fonte: www.ironmaiden.com

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Barba

Deixo meu cabelo crescer desordenadamente
Para mostrar ao mundo o quão descrente
Eu posso ser, ignoro suas leis.
Minha barba e bigode refletem
Claramente minha irresponsabilidade, preguiça e desordem.
Rôo minhas unhas, e cuspo fora.
Eu gosto da sociedade hipócrita
Que idolatra Narciso e seu espelho,
Que carrega a cruz da beleza,
E os pecados da moda.
Coço meu rosto, e observo as rugas ao redor dos olhos
Que reparo estarem vermelhos
Dou um sorriso e vejo meus dentes amarelos...
Ainda posso escutar o espelho chorar
Quando estou em outro lugar.

domingo, 23 de novembro de 2008

Droga!

DROGA!
Pisei na merda,
Eu vivo aqui!
Infelizmente,
Sociedade...
Fedorenta!
Aqui eu vou crescer
Ali eu vou vencer
Onde eu vou morrer?

(Não lembro quando eu escrevi, mas foi provavelmente em 2005)

Desejos

Gostaria de não ter nascido assim,
Quem sabe um personagem de um romance,
Uma poesia,
Uma palavra no dicionário.
Gostaria de ser um quadro
De Salvador ou de Picasso
Ou apenas uma gravura infantil.
Ate que gostaria de ser uma barra de chocolate,
Um prato de farinha,
Ou um Sushi.
Novamente gostaria de ser um personagem
Num romance “romântico”.
Uma poesia moderna,(anarquista)
Uma palavra desconhecida e fora de uso.
Também gostaria de ser uma escultura.
E as vezes me imagino solto no ar
Como simples pétalas de rosa
Queria ser uma sinfonia,
Uma musica
Ou uma simples melodia...

(Eu não sei de quando é, mas sei que eu estava lendo meus antigos cadernos de anotações e a achei... algumas alteraçõezinhas foram feitas... e em parênteses uma mudança singela e nem um pouco modesta)

O desabar

Você era uma pagina em branco
Que meu grafite não conseguiu escrever
Estranha, e bela...
Nem me parece, hoje,
Lógico, ter te amado tanto
Ter chorado em prantos
Você é uma mulher normal
Perigosa, e bela...
Daquelas que é difícil deixar para traz
Nem me parece interessante, amanhã,
Pensar em te recuperar,
Minhas entranhas dizem que sim
Meus sonhos, que não
Meus olhos ansioso não vêem uma parede branca
E meus pés não sentem o chão
Meus sonhos de amante, menino, poeta
Pedem perdão, mas eu estou, aqui, perdido
Sem saber como chegar até os seus dedos...
Domingo de noite, não quer dizer nada.
Escrevo agora como um trapezista
(não como um certo poeta que vive em mim)
Que tenta equilibrar-se no ar
Querendo desabafar, tentando não chorar

Entrem e sintam

Entrem e sintam-se melancólicos
Com copos de vinho e queijo gorgonzola
Mulheres dançando um ritmo quente
Cartas na mesa, sangue no chão.
Nostálgicos sons entram em sua cabeça
Que está prestes a explodir
Você quer, mas não consegue sair daqui.
Moribundo, suicida.
Mesas de conversa fiada
Poetas desgraçados e caídos no chão
Junto ao sangue derramado
Bebem da fonte do desespero humano
Escrevem trechos maldosos Sem sentido,
Eles não querem ser estudados
Nem regulados, querem morrer em paz
Deitados na sarjeta, sujos de cinzas de cigarro.
Escrevem por serem egoístas,
Por não quererem acordar,
Viver num mundo de idéias,
Que só eles entendem...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ervas Daninhas

Nós agora somos desconhecidos,
Inimigos.
Somos feras num aquário reduzido
Em amostra.
Nada alem de cobaias em laboratório
Vivendo distantes
Sem gosto de carne, sem beijos amargos.
Somos meros acasos
Descomunais movidos ao vento.
Fim de mês
Fim de contrato, o diabo já volta.
Fitando olhos alheios
Namorando o inevitável.
Me peguei de supetão,
Pensando, sonhando, com a faca na mão,
Devaneios perigosos.
Pelo destino amoroso
Nós somos distantes um do outro.
Vivemos alheios no meio da linha do trem
Separados pelas ervas daninhas
Que se alojaram no meu coração.

Recife(partes)

...
"Oh Recife, Minha pátria...
Ergo minha bandeira da amargura
Com corda de loucura
Pronta para em enforcar."
(a segunda estrofe de alfgo maior)
...

Uma parte de algo escrito a pouco... Mas a primeira vez que eu, me decidi por analisar um texto meu com calma, e escrever mais... Afinal eu moro nesse lugar algo mais interessante eu tenho para falar.

Uma lembrança (para Dayane)

Quando precisares
Olhe para o leste
Assista o sol nascer
Espere a estrela áurea
Tocar sua pele
Dê um sorriso
Derrame uma lagrima.
Lembre-se de como é estar viva.
Quando precisares
Olhe pro sul
Observe as aves migratórias
Que levam seu amor
Para aquecer o Norte.
Quando for preciso
Olhe o sol morrer
Pois não existe maior agonia
Que saber que todo dia acaba.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Cada Lugar na sua Coisa (Sérgio Sampaio)

um livro de poesia na gaveta não adianta nada
lugar de poesia na calçada
lugar de quadro é na exposição
lugar de música é no rádio

a dor se vê no palco e na televisão
o peixe é no mar
lugar de samba enredo é no asfalto
lugar de samba enredo é no asfalto

aonde vai o pé arrasta o salto,
lugar de samba enredo é no asfato
aonde a pé vai se gasta a sola
lugar de samba enredo é na escola

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Campinas, São Paulo

As lembranças que posso ter guardado em fotografias envelhecidas, escondidas em uma caixa. As brincadeiras da infância, os amigos, as casas na árvore. O pomar da Jatobá, quando eu ficava sujo de lama. Quantas coisas eu não esqueci, e nem ouso abandonar. Não passo de um menino, que ainda chora de saudades. Dos meus cachorros e gatos, dos velhos que tanto trabalhavam ao meu redor. Eu era uma criança solitária, ou deveria ter sido. Aquelas ruas silenciosas que rodeavam a UNICAMP, os passeios e as amoras. Tudo o que vivi aquilo que senti. Falta de um pai, amor por uma mãe rigorosa. Raiva dos bonequinhos guerrilheiros lutando uma guerra a muito vencida pela minha imaginação. Sinto falta.
Hoje, está tudo tão longe! Momentos mágicos, alegrias, pessoas inesquecíveis.
Poucos anos e muitas lembranças, gostosas. Campinas, São Paulo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O ato de adorar

Adoro-te,
como pedras rolando colina abaixo
em direção do mar,
aonde as pedras quebram
como a fúria dos deuses
esquecidos em bibliotecas
queimadas em fogo eterno!

domingo, 16 de novembro de 2008

Vidas voando

Irei observar o tempo mudar
Tempestades e calmarias
Acompanharei o curso do rio
Dançarei a cada mudança de maré
Cada Furacão, Tsunami...
Dedico minha atenção
A cada tremor de terra
Todas as vidas voando
Para o inevitável
Como o riscar de palitos de fósforo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Camila

Você me fez o bem
Tratou-me alem
De um simples menino.
Ensinou-me o beijo amargo
Da despedida dos dias tristes
Éramos estranhos um com o outro
Rancorosos que dava ódio
Amorosos que dava dó.
Quem viveu ao nosso lado
Sabe o que é ser esquecido
E lembrado na hora do desespero
Que naquele enterro
Lagrimas não conseguiram lavar.
Você mulher foi especial
Inesquecível.
Longas férias na casa da avó
Sonhos loucos, e um pouco tristes.
Sinto sua falta,
Da amizade dos abraços
Juro que nem lembro
O tom sarcástico de sua voz
E o mimo de seus carinhos.
Não peço nada de volta
Nem quero que traga a tona os sentimentos
Outrora esquecidos, escondidos.
Já faz um lindo ano, amanheceu um novo dia.

Quem vai me acompanhar

Quem vai me acompanhar
Ate o fim do mês
Sem reclamar
Do dia a dia
Da falta de agonia
Com uma leve apatia
Escrevendo coisas iguais
Que reprimem o mesmo sentimento?
Quem meu deus, vai me acompanhar
Ate o fim da vida
De mãos dadas
Caminhando juntinhos
Dormindo pelados
Amando o dia.
Quem vai me agüentar quando eu sofrer
Da bipolaridade viva do meu ser
Que arrasta meu divertimento
Draga minha lógica
Estraga meu amanhecer?
Quem vai agüentar as dores de cabeça
Os enjôos e ressacas
As faltas de vontade
E as vontades loucas de gritar dentro de casa.
Esqueça mulher, eu não falo de você!

Sarah

Pequena companheira de
Brincadeiras, risadas
Teu sorriso é tão lindo
Que não consigo comparar
Nem a lua nem ao mar.
Es tão inteligente
Que se irrita por não saber falar
Mas chama a atenção ao chorar.
A coisa mais incrível
Foram os oito anos, distantes e estranhos
Que me separaram do seu pai,
Você veio e trouxe luz
Um pouco de esperança,
Guiou uma jornada ao fim
Ato justo.
Te conheci a pouco tempo
E te amarei eternamente.

Nota: mesmo sendo da família é um amor que eu tive que “escolher”. Quem me conhece sabe o quanto eu sentia falta, e eu poderia ter continuado a ser orgulhoso e ter me mantido longe e nunca ter conhecido você.

A saga dos poemas "mulheres" começa aqui

Vou começar uma seção de poemas, que falam das mulheres da minha vida, amigas amores, mãe e avó... como foram importantes, ou ainda são. Por que me decidi fazer isso? Não sei, tive vontade, e vou concretizar por estar com vontade também.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

o Palhaço

Toda aquela maquiagem
Mostrando aquele sorriso sincero
Jogando os malabares pro alto
Fazendo todos rir de sua aparência
De seus atos.
É uma linda atuação
De quem não tem nada a perder.
Iluminando o dia de uma criança
A alma de um velinho
Ele não se importa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O sonho de todo homem

O sonho de todo homem é ser canalha
Viver num completo ócio
Folgado de cueca, gritando pela cerveja
Esparramado no sofá assistindo tevê
Coçando o saco, dormindo um pouco
O Sonho de todo homem é ser amado,
Agindo feito babaca,
Falando alto, sendo um completo idiota
Comendo tudo, bebendo todas.
Pegando todas as mulheres que passam na frente
O sonho de todo homem é ser chamado de Macho
Perceber que ta tudo errado
E levar os erros adiante, metendo o dedo no nariz
Sujando o banheiro

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Rua Paulo Inojosa

Estou em uma rua deserta
A um bom tempo
Encostado num muro baixo
De uma casa popular
Estou fumando um cigarro
Tem dois postes na minha frente
Um ilumina e outro representa o progresso
Alguns carros estacionados
O som de uma festa
Pessoas falando alto, musica rolando
Não vejo ninguém.
O cigarro acaba.
Volto ao normal

Deuses e(ou) demonios

Ando tão sozinho
Que não sei a quem recorrer
Já me falaram que não sou deste planeta,
Mas até hoje não achei meu disco voador,
Nem sei aonde encontrar o famoso Ashtar
Para fugir daqui voando para longe.
Nos meus sonhos vocês aparecem para mim.
Deuses e demônios, o que são vocês?
Você mulher me veio semi-nua,
Com seios fartos, um corpo escultural.
Porem eu não vi o seu rosto, quem é você?
Vestida de azul e branco, por que me visitas
Em sonhos molhados?
Em certo pesadelo alguém me acordou
E me disse assim
“Estamos aqui observando
Vire-se devagar, olhe nos nossos olhos
Es um enviado dos céus
Pare de vagar como um completo desconhecido
Entre em contato, voltaremos para lhe acolher.
Destrua a humanidade, mate todos
Tens a permissão para tanto
Se oponha a tudo, rasgue sua carapaça
Transforme-se em quem deve ser.
Volte para casa.
Pois ela é aqui em cima.”
Sou do povo de shan Ou um completo idiota?
Seres astrais, ou orixás.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Queria entender

Queria entender a mente criativa
Quais os mecanismos que ativam
Certa criação.
Grandes barreiras imaginarias
Metralhadoras de versos.
Queria entender a mente poética
Que escreve tudo o que vê
Mas quando força, apaga.
Quais os gatilhos de tanta ânsia
O que motivam esta fome.
Quero aprender, e aceitar...
Não me achar um completo anormal
Vivendo tão normalmente
No meio de tantos pertences.
Quero entender como eu posso pensar
Para aceitar que logo posso existir.

Alcir

Eu me lembro de uma festa
Nos arredores da UNICAMP
Aonde um homem me deu atenção.
Eu deveria ter uns cinco ou seis
Mas me lembro do sentimento de igualdade
Pintamos alguns desenhos
E ele me contou algumas historias,
Isso já faz muito tempo.
Pois hoje sei, já sou um homem.

Os livros e as estações do ano

Você tem as mesmas duvidas que eu?
Lembra dos mesmos momentos?
Chora pelos mesmos motivos?
Vive a mesma dor?
Hoje sou mais maduro e vejo como perdi tempo
Como era menino, e como tudo era doce.
Escuto aquelas musicas que me lembram você
Deito na rede observo as nuvens passar
Pois o tempo não voa nas asas de um avião
E nem caminha como um quelônio.
Já fazem alguns livros que partisse
E me deixasse para trás, não se preocupe
Ainda tenho os sonhos de verão
Perdidos em noites calorosas,
Invernos esquecidos, folhas caindo.
Como na primavera poemas nascem disto tudo.

Café

Estou tomando uma xícara de café
Este vicio que eu aprendi a ter,
Assim como um cafuné
Relaxa e descontrai os músculos.
Açúcar e mel adoçam minha fé
De que terei uma noite sem pesadelos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

São os poetas?

Irei beber como os deuses
Comer como os bárbaros
Amar como os poetas.
Desfrutar de minha paz interior,
Observar o meu totem animal.
Eu vou parar aonde ninguém foi
Desgrenhar a mata de pensamentos
Nadar na praia de sentimentos.
Irei me deliciar com o canto das cigarras.
São os deuses que me fazem pensar assim
E os bárbaros me fazem agir assim,
Mas são os poetas, verdadeiros?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Jesus o Cristo

Como enfeite, carregamos nossas cruzes.
Damos a nossos filhos as coroas de espinho
Perfuramos nossa alma com uma lança
Mesmo sem perceber, seguimos o mesmo caminho.

Como um espelho, agimos.
Cometemos os mesmos erros
Dia após dia, gota de sangue após gota de sangue.
Pela Via Crucis chegamos a calvário.

Seguimos suas palavras
Somos todos tão cego,
Enxergamos milagres
Comemos a carne, bebemos o sangue.
Contamos historias de ninar.

A sombra do Colosso

Vendi minha alma para os deuses
E caminhei sozinho
Pela grande ponte da vida
Cruzando os vales vermelhos.
Uma enorme sombra sucumbia ao meu lado
Um gigante surgia, e me acompanhava.
Vá guerreiro,
Monte seu cavalo companheiro,
Guie minha morte, sufocante.
È inevitável atravessar os desertos
Escaldantes e infindáveis.
As 16 sombras corroíam meus ossos
E me transformavam no que sou.
Os 16 grandes espíritos colossais
Habitavam meu mundo, ínfimo.
Acho que tenho a força necessária
Para olhar o horizonte passar.
O passado incerto,
Pessoas em ruínas
Deuses decadentes
Colossos ascendentes...
As águias e pombas me acompanham.
Em minha jornada da alma
Recuperá-la-ei em nome de nosso amor.
Carreguei até aqui,
Meu fardo mais brilhante
Num momento interessante
Mergulhado em lagrimas.
Subi ate o éden só para te ter.
Troquei minha alma com deuses.
Para te ver viver novamente.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A arrogância

A arrogância:
É um boçal
Cigarro de maconha
Que de tão imoral
Tira-me do serio
E eleva o astral.
A arrogância,
Colorindo meu dia
Sarcástico e ignorante
A irrelevância disso tudo
Faz-lhe perceber
Que o mundo gira ao redor
Do eixo paranóico
Da existência do querer.
Desista de saber
Aquele indisposto
Discurso mouco
De andar louco
Com feridas no osso.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Amigo Natan

Bebo cerveja com você
Sem me importar com
Os problemas banais.
Jogamos conversa no monte
De um jogo bem jogado
De baralho do diabo.
Quantas noites chuvosas
Foram necessárias para
Dar o xeque mate?
E quantos litros de coca-cola
Escrevemos juntos
Nos churrascos de domingo?
Meu amigo, quantas lembranças
Que eu posso guardar de você
Sem nunca nem se quer pensar
Em me esquecer de você.
Filosofias baratas de vida
Viagens de carro, para longe
Ou para bem perto.
Confraternizações com
Outros Bons amigos.
E quem disse que a distancia
Seria um diminutivo,
Das verdades sinceras
Talvez a falta que fazes,
Não chegue até você...
Mas nos reencontros banais
Vamos nos abraçar
E olhar pra trás, rir um pouco,
Jogar e beber.


Essa é, foi e será uma daquelas amizades, que às vezes você nem entende o porquê de existir, mas está lá lado a lado sem se importar com nada, olhando o tempo passar...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Guerra interna

Sou um veterano de uma guerra perdida a muito.
As cicatrizes em meu corpo como tatuagem,
O capacete verde escuro, a roupa malhada,
O sangue espirrado no rifle de combate.

Minhas trincheiras são maquinas de escrever.
O estopim de meu confronto interno, foi você.
As batalhas perdidas ao longo dos pesadelos
não são meras lembranças de tudo que passamos.

Acredite... A derrota tem gosto amargo
Asfalto, lama, álcool.
As tatuagens agora não passam de cicatrizes.

Aquela luta de espadas, da qual travamos com apenas olhares.
Pedaço de papel, giz de cera, fiz um presente.
Que hoje deve estar no fundo do baú, abandonado.
Você é meu inimigo? Amigo? Amor?

Meu lápis HB, escreve você passo a passo,
Curva a curva, eu não posso te esquecer.
A virada da ciranda da vida, não pode terminar de passar.

sábado, 18 de outubro de 2008

Desconforto

Ando tão desnorteado, alcoolizado
Que posso te dizer:
Dormir numa rede não traz felicidades
Ouvindo as trombetas celestes
Os anjos passeiam no leu,
Bebendo licor de mel
Própolis na acrópole
As dores de garganta querem dormir...
Dominar minha vida
Vou desligar tudo e ir para aquela rede que me traz conforto, mesmo sem felicidades

Cabisbaixo

Porque ando tão cabisbaixo
Olhando as imperfeições do chão
Contando passos
Pergunto-me coisas que não sou capaz de responder agora
Estou dormindo, caminhando pelas avenidas comerciais.
Estou acordado, correndo livre em alguma praia deserta
Filosofia de vida
Apatia do dia
Ando tão cabisbaixo, e sem perguntas para as minhas respostas.
Vou envelhecer, e morrer antes do fim da ida?
Não tem volta neste caminho
Destruímos tudo e todos
Estou morrendo na beira deste abismo,
Por favor venha me ver antes do Fim do dia.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Não cobre de mim

Não cobre de mim o conhecimento
Daquilo que não me foi disponível aprender.
Não peça lagrimas,
Quando me ensinaram a ignorar.
Aproveite para me ensinar
Como arranhar meu próprio coração,
Quando estou disposto a apenas
Cuspir no chão, encerrando a passagem.
Novamente vou pedir que não me cobre:
O que eu não aprendi a fazer,
Rir de cenas engraçadas do quotidiano
Chorar das tristezas amargas.

Venha conversar comigo, mas não aguarde vasos de flores.
Não me julgue, de frio ou duro.
Cada um sabe o que cultivou no jardim das emoções e sentimentos
Se vou me entristecer, se vou sorrir,
Obrigar-me a sofrer, só vai alimentar minha indiferença.
Não quero ouvir os sinos badalarem, e nem ver o carro passar.
No final da estrada, encontra-se um homem,
Barba por fazer, cabelo desgrenhado, um pouco bêbado.
Esse homem sou eu, acredite!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Poeta anarquista 10

Não há mistérios em minhas palavras.
Não os mesmos mistérios escondidos
No universo, imenso e inerte.
O desconhecido passa a ser engraçado
Olhando do lado de cá.
O lado da loucura e da graça.
Somos peculiares, e nossos cabelos engomados,
Agora estão bagunçados e embaraçados.
Lemos prosas para relaxar
Enquanto escrevemos trechos de poesia
Para tragar junto.
Estamos te esperando
Nós somos, quem você sempre chorou
Anjos do firmamento
Carregamos as fechaduras de algumas portas
E escancaramo-las para que todos possam passar
E lá descansar.

Poeta anarquista 9

Somos como Cucos
Implantamos nossos desejos
Em sua mente fraca
E observamos de longe o estrago que faz
A destruição iminente
Alimenta nossa coragem
Salienta nossa imagem
De loucos descomunais
Dançamos pisando em cabeças
Que choram em desespero
Estamos lendo os livros da morte
Conhecendo seus rituais
Nós vamos levá-lo
Para o fundo do abismo negro
Sem remorsos...
Silencio!
Sente o medo?

Parar...

O primeiro cigarro que você coloca na boca, da aquela sensação de alivio. O desespero vai embora, as lembranças tristes são substituídas por baforadas fedorentas, de tabaco e amônia. O ritual, de acendimento de um cigarro, riscar o fósforo, o braseiro acende e a fumaça entra. Agora não tem volta, você já acendeu 14 cigarros e se pergunta o por quê? Acende o 15° aspira metade de suas impurezas e grita para os céus. Agora a fumaça que é substituída por desespero.
Respire, engula, cuspa, trague, chore.
Agora acende um cigarro invisível, toda a noite lembrando de tudo que era bom. Está deitado na cama, corroído de desejo. Não sabe se vai comprar um maço de cigarros ou se chora em vão. Toda a fumaça e o desespero camuflados em um só, dão lugar para um único sentimento, culpa.
Parece fácil! Todos acham no começo, vou olhar para o horizonte e vomitar. Porem parar de fumar é tão difícil como parar de comer carne, ou de beber refrigerante, você sabe que faz mal, mas aproveita os benefícios cedidos naquele momento. Sofre toda noite por não fumar mais, esquece até do café. Não sabendo o que fazer, se contorce na cama até dormir e lembrar que um novo dia nascerá em poucas horas, e toda a angustia nascerá junto com ele.

domingo, 12 de outubro de 2008

Poeta anarquista 8

Soltamos fumaça pelas narinas
Vagarosamente, pois antigamente
existira um cigarro
Bebemos o álcool, para perpetuar
Imagens em quadros
Nas galerias de nossas lembranças
Assistimos à ventania
Com um sorriso no rosto
Observamos as ondas do mar
Com a intenção de secá-las
Caminhamos na beira mar
Contando as pegadas
Apagadas pelo tempo
Vivemos sem propósitos
Um vermelho eternizado em praças publica.

Poeta anarquista 7

Estamos prestes do fim
A beira da morte
Somos violentos assassinos
Empunhando facas de prata
Escrevendo em nossas peles
Versos enlouquecidos
Banhados com nosso sangue
Corremos na rua
Pelados para mostrar para o mundo
Como somos belos
Escrevemos no muro
Versos quentes
Que te lembra um quarto escuro
Seguimos dançando
Nus em folha
Carregando pinceis
Para perpetuarmos ideais
Anarquistas inveterados
Cantaremos Loucamente
Salmos para os desvairados
Lá na Espanha choraremos nossa morte

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Assim você chegou?

Assim você chegou, surgiu em minha vida em cartas abandonadas na encruzilhada… Que eu li sem medo, e me apaixonei logo de cara. Estava sóbrio, e continuava sóbrio quando escrevia a resposta. Tanta fumaça encobria seu rosto, tanto tabaco envolvia minha língua. A percussão de nossos corações ritmados, balançando em ritmos de êxtase. Mãos dadas dançando ao som dos “uh uh”, saudosos músicos que tocam melodias sacanas em nossas mentes,enquanto dormimos abraçados. Levados pelo embalo. Trancados em um cubículo suados, sujos e cheios de sacanagem. Amando vivamente. Cheirando os venenos mortais, fumando escondido. Pés descalços enterrados na areia da praia, Marias farinhas correndo livremente. Estávamos juntos. Não chore meu amor, Vamos para lá, jogando os braços e gritando bem alto, correndo da policia, Vivendo a vida.
Eu me lembro de suas cartas de amor, você estava tão longe… Tanta fumaça em seu rosto, dominando minha imaginação. Não sabia para aonde ir, fiquei sentado, Olhando para o sol pálido que gritava meu nome, e gravava em minha pele a sua cara como tatuagem. Era só uma ilusão, uma criação. E ali na encruzilhada eu deixei minha carta, para que um dia você pudesse ler, e saber que eu existo, e estou por ai. E você aonde esta?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Conferência sobre a Conservação dos Recursos Naturais,1908.

“Enriquecemo-nos pela utilização pródiga dos nossos recursos naturais e podemos, com razão, orgulhar-nos do nosso progresso. Chegou porém o momento de refletirmos seriamente sobre o que acontecerá quando nossas florestas tiverem desaparecido, quando o carvão, o ferro e o petróleo se esgotarem, quando o solo estiver mais empobrecido ainda, levado para os rios, poluindo as suas águas, desnudando os campos e dificultando a navegação.” Théodore Roosevelt, Conferência sobre a Conservação dos Recursos Naturais,1908.

Reparem a data =/

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Venha para uma Festa

Boa noite, bem vindos. Venha para esta festa, o momento onde a sociedade é hipócrita. Só quer se divertir e ficar bêbada com o sorriso no rosto. Ingênuo e babaca. A rapaz, veja bem isto é a democracia do crescer. Ricos e poderosos, medíocres todos juntos representam uma coisa maior. Ah como seria bom tomar banho de mar sem se preocupar se estou escondendo meu corpo o suficientemente bom. Lave sua alma e se afogue neste mar de ilusão, gargalhe nesta destruição.
Esta é a sociedade, hipócrita e divertida cantando as mentiras de nascer, e os lutos de viver. As crianças expostas para demonstrarmos nosso poder. Vãos dividir este pacote de biscoito, cheio de alegria e artérias entupidas num futuro próximo, vamos nos divertir. Rir.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Topo da cadeia alimentar

É vivemos no país dos assaltos a mão armada, da política ruim, e do nosso bom e velho futebol. Vamos trocar umas dicas, e seguir em frente. Época de eleição, ta na hora de pisar na cabeça do seu colega mais próximo, e só entregar aos santinhos para quem merece. Chute a canela de deus, é eleição, compre voto, venda candidatos.
Em um pais aonde os jovens com o privilegio de estar no topo da cadeia alimentar, fazem discursos de “não tem para que” “não vai mudar em nada”, sabemos também que são estas pessoas que depois de alguns anos vão encher a boca para falar, “eu não votei neste cidadão, olha o que ele fez com o país”. São pequenos gestos, os destes jovens privilegiados, estudantes das universidades federais e estaduais, a nata dos intelectuais...
Ser apartidario, anarquista, presidente, mendigo, muda em alguma coisa? Contribua com seu intelecto, com sua massa encefálica. Época de eleição, vote em quem merece, pois eu sei que o caos que eu semeio não merece ser lembrado. Quando estiverem com areia em deus bolsos de roupas chiques e caras. Vamos levantar e cantar. Protestar para ver se alguma coisa muda. Mesmo que os protestos sejam silenciosos, mesmo que seja um voto desacreditado. Mude sua cabeça para depois mudar o mundo. Você não esta aqui sozinho, e nem deveria pensar que está... tem muita gente atraz, olhando e esperando a sua vez. Agarre esta bola e passe ela para a frente. Jovens do topo da cadeia alimentar deveriam saber o privilegio que tem em estar nesta posição. Mas acho que já está na hora de caça virar caçador, e os predadores de topo virarem simples camundongos perdidos no deserto.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Divã (homenagem a Paulo Roberto Medeiros)

Você era um reconfortante divã
Onde eu podia reprimir toda minha frustração
Em atos sexuais carentes, beijando seus pés.

Lembro-me até hoje
O baque que levei, quando eu soube.
Eu não pude fazer nada.
Quando tinha lhe visto pela ultima vez
Eu não te contei tudo
Afinal eu não sabia.

Perco-me nas lembranças
De conversas eternas
Você era o único que me ouvia
E também era o único que me falava
Naquele seu jeito calado de ser.

Você era um reconfortante divã
Aquele lugar aonde recostava minha cabeça
Na esperança de um dia voltar a escutar
Palavras sabias embrulhadas em charadas

Pergunto-me o porque, das coisas
Mas saber de tudo não me parece solução
Você morreu, e não me disse adeus,
Pois havia me ensinado que até logo era breve.

Ninguém sabia, pelo menos não eu, de suas fraquezas.
Um vento forte, uma pequena dor no peito.
E aquelas luzes brancas invadindo o quarto pela manhã
Também foi você que me ensinará a valorizar minha vida.

Naquela noite de carnaval
Eu não cantei a euforia dos bêbados da avenida
Eu chorei o desespero da morte
O gosto áspero de saber
Que dali em diante estávamos novamente sós
Eu e meus medos.

Foram anos juntos, conversando.
Primeiro cara a cara.
Dois anos depois,
Veio o divã
No começo eu queria dormir
E às vezes ainda acho que tirei bons cochilos.

Dialoguei sobre meus sonhos
E angustias.
Você era o único que sabia meu medo da solidão
Espelhada na morte
Meu pai morreu, você morreu
As pessoas morrem.
O baque é sempre grande

Você é o divã que irei carregar para sempre
Nas costas, com garra e vontade.
Irei degustar de lembranças amargas
Da falta de adeus.
Vou deitar, às vezes vou saber o que fazer
Com seu silencio... seguirei.

domingo, 28 de setembro de 2008

Todos os amores

Já andei por ai
Diversas vezes
Procurando um amor que correspondesse
Já amei, sem ter por que amar,
Já segui em frente por não conseguir deixar
Chorei e me arrependi
Briguei com tantas garotas na minha vida
Que nem sei por onde começar.

Amei quem estava tão longe de mim
Como acariciei peles macias tão próximas
Conversas jogadas fora, em ralos de banheiro

Amei profundamente algumas vezes
Pois digo hoje, um pouco mais velho
Que diversos amores que carreguei comigo
Foram apenas ilusórios
Capazes de me manter vivo e sedento
Enquanto chorava a sua perda.

Mas no fundo no fundo
Meus amores ilusórios, se mantinham longe
Sem o toque da pele
Sem o beijo da morte

Consumimos tanto de nos mesmos
Quando amamos que nem percebemos que não vale tanto assim.
Tragamos o amor que é correspondido
Cuspimos aqueles que não.

Vejam as estrelas e leiam o que elas têm de bom para contar
Ria um pouco, mas n engasgue as gargalhadas sinceras.
Não soluce a toa, pois o vão constrói uma ilusão
Pinte nas paredes seus sentimentos
Não tenha vergonha de amar

Eu já amei tantos nomes,
Imperfeitos e sem rostos
Tantos jeitos de ser,
Anéis e brilhantes
Já ouvi tanta musica
E cantarolei os pedaços que lembravam nós dois

Eu perdi o que a vida tinha de bom
Cresci e parei de enxergar a verdade
Por traz de tanta nevoa.
Amar o desconhecido e imperfeito mar
Correr alegre atraz de qualquer pessoa

Poucos sorrisos, alguns piscares de olhos
Almoços em família, jantares amigáveis
Gestos acenando para o horizonte
O infinito perseguindo os amantes

Amar a grosso modo é sofrer
O drama de viver
A repetição
Os erros, e os novos acertos
Quantos amores eu não tive ate hoje
E quantos eu não vou ter!

Como já disse antes
tudo ate agora
foi escrito com um propósito
não exaltarei os amores novos
não esquecerei os antigos.
Não foi uma triste ilusão
Perdida em beijos e carinhos
Somos homens e corremos perigos
Somos amantes e arriscamos,
Amamos.

Não dá para esquecer,
É inevitável lembrar
O lado fraco regurgita
O medo pálido

O passado bem acompanhado
Assado com batatas
É triste dizer que esquecer
É difícil
Choramos e esmurramos
Paredes sólidas em nossa frente

O amor atual
Sofre com as conseqüências de ser
Algo novo e desconhecido
Meu dever é ser um pouco louco
E tratar isto muito bem
Uso os erros do passado, para concertar o presente
Leio em livros receitas
Pois neles eu não encontro Feitiços

Carrego em minhas costas
O dever de ser sincero
Pois a mentira amarga o peito
E entristece os olhos

Rancor, ardor.
Escrevo para aliviar minha dor
Espero que entendas
Sem lagrimas nos pés
Que tudo está aqui
Um dia eu vou te trazer
Um lindo buquê
Mas não me pergunte o porquê
De ser tão bravo com o tudo
O Mudo mundo, mudo as palavras

Vou descrever agora
A sensação de ter
Alguém tão perto
Esbelto, cheiroso
Abraçado a mim

...

Todos os amores que passaram por mim ate hoje
Não sabem a importância que tiveram
Construíram meu jeito de amar
Minhas mais fortes características
Principalmente a de sonhar.

Não vou catalogar
Algo tão singelo
Nem te entregar
Algo tão sincero

E eu vou ganhando tempo desta forma
Mesmo se eu morrer agora
Vou saber que minha ultima cartada
Deu certo
Acertou em cheio o seu ego

Quantas páginas mais vão ser necessárias para
Eu descarregar toda a frustração
Que embaralhei no carteado
Quantas vezes mais, vou escrever pequenos versos,
Em que um porco romântico chora por você?

Eu já sonhei bastante
Agora estou acordado
Escrevendo um acordo:
Eu irei te amar,
Você irá me esquecer
Eu irei seguir
Você irá voltar
Eu vou amar novamente
Então você vai chorar
E vamos juntos nos arrepender
E vamos juntos nos separar
E juntos vamos lembrar
Tudo que vivemos
Vamos esquecer...

...

Quantos nomes eu posso me lembrar?
E usar neste fim de carta
Os nomes da infância
Ou da adolescência
Posso escrever assim
“Menina veja bem olha quem já vem”
Este é o fim da carta
E nele gostaria de assinar um nome bonito
Ou Todos os nomes
De Todos os meus amores

Notoriamente agradeço
Eu hoje não sou nada
Alem de lembranças
Enfiadas numa poesia
De significado enlameado
Do seu querido e amável Guillen

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Estou queimando todas as minhas poesias

Nesta tarde de setembro
Junto todos os meus papeis
Onde eu possa um dia
Ter escrito qualquer coisa
Em forma de versos.

Tudo que naquela época:
Me entristecia a toa
Não me importava
Com atuações erradas
Nem ligava para a alegria
Das coisas pequenas.

Todas as palavras
Que juntos tinham
Significado obscuro
Falassem de amor.

Amontoei toda uma vida
Folha sobre folha
Contei algumas centenas
De poemas e atos.

Coloquei em ordem
Tudo que me fazia
Lembrar de você,
Fazia-me sofrer.
Eu queria chorar!

Ateei fogo
Para me sufocar
Com a fumaça
Dos papeis aonde eu
Imortalizara nós dois

Acabou...
Demorou!

Folha de papel

Quando duas pessoas que amam
Agem como crianças
Rasgam os papeis
Em pequenos pedacinhos.
Pedaços tão pequenos que geralmente
Eles se perdem na hora de juntar
Cabe aos apaixonados procurar
Cuidadosamente pelos mais ínfimos pedaços
E coloca-los em ordem
Sabendo que a relação
Nunca vai ser da mesma forma lisa e charmosa
Algo parecido com rugas e arranhões
Vão perdurar os dias até o momento
Em que os pedaços de papel forem reciclados
E voltarem a ser um único e branco
Pedaço de papel

Carta para a lua

A lua anda sorrindo para mim
Percebo que o brilho eterno do sol
Refletido na beleza da lua
É realmente capaz de iluminar uma existência
De ascender os desejos mais profundos
De esconder os segredos mais profanos
Basta olhar para a lua
E sonhar um pouco...

domingo, 21 de setembro de 2008

Escute meu bem

Foi tudo ótimo enquanto durou a musica
Dançamos juntos uns ritmos loucos
Tirando o pé do chão levando a mente pro céu

Agora eu estou só
Esquecido da tempestade
Lembrando dos passos
Que me tiraram do sério

Quando o amor vai embora
Memórias de umas lagrimas
Derramadas em vão

O telefone toca
Ouço sua voz
Viro a cabeça
Volto a dormir

Agora eu jogo xadrez
Gambitando com o diabo
Escutando sua gargalhada
Xeque mate

Suado e com medo
Deitado sozinho
Lendo algumas cartas de amor
Que escrevi e não enviei

Quem me visse deste jeito
Pensaria sem duvidas
Que estou sofrendo
Não estaria errado.

Mas toda a melancolia
Transformara-se em flores
Estranhas e cheirosas
Que eu juntei num único vaso

Derreto-me na escuridão
Pensando nos versos
Que quero escrever
Dedicar e impressionar

Ando mais maduro
Falo menos besteira
Caminho sozinho
Fazendo besteira

Ainda sou um menino
Infantil e triste
Mórbido e carrancudo
Que acha que todo o mal vai ser curado com pouca rima.

Penso ser fácil escrever
Pego o lápis e rabisco meu nome
Diversas vezes
Querendo gravar palavras em grafite
Nas paginas amareladas, de um caderno antigo e empoeirado.

Guardo tudo no meu coração
Esta bela canção
Aquelas que dançam mais cedo
Os nossos pés

Não vou dizer que te amo
Não vou voltar atraz
Não vou dizer adeus
Não quero olhar para traz

Deixa disso
Vem comigo
Vamos embora
Para um outro lugar

Copacabana

"E em cada verbete
Um singelo lembrete:
"Em sua companhia quero estar"
Quero te ver de corpete
Te guiar num Corvette
E seguir sem destino pra chegar"
Móveis coloniais de acaju

“sinto copacabana por perto é o vento do mar
será que a gente chega
eu sinto que o meu coração tá com jeito de bem me quer
mulher”
Marcelo Camelo


sábado, 20 de setembro de 2008

ultimo cigarro

Tarde da noite.
Tudo escuro,
Algumas luzes, dos postes distantes de alguma rua.

Andando sozinho
Tremendo de frio
Lembrando daquele ultimo cigarro que fumei agora há pouco.

Se for preciso
Eu parto,
Eu quebro tudo
Apago o cigarro.

Eu paro de beber,
Esqueço o café
Faço de tudo para te largar em qualquer lugar, com meu isqueiro vermelho.

Vou trazer as balas de menta para o quarto
A garrafa d’água
Os livros de literatura, que residem sozinhos em outro aposento.

Para te esquecer
Eu paro de fumar
Começo a cantar melodias tristes e cinzentas que combinem com a noite.

Pouco iluminada,
Nem o braseiro
Que habitava meus lábios, esquio e quente, consegue iluminar.

Vou assobiar aquela nossa canção
Por que para te esquecer
Eu paro de fumar

Você para nós foi em vão
Como um lampião repetindo o brilho das estrelas
Eu para nós fui em vão
Lembrando daquele dia, que dia, em que nos dois ainda existia.

Eu ainda tremo
Pela manhã
Lamentando aquele ultimo cigarro que fumei.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Retratos

Quantas vezes eu não chorei
E conversei sozinho
Olhei para o espelho
Sonhei acordado
Quantas vezes eu te vi
Sorrindo para mim
Cuidando do meu caráter
Zelando pela minha infância
Todos os retratos
Guardam de ti, lembranças.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Avião

Eu estava na varanda
Olhando a paisagem
Fumando meu cigarro
Quando veio aquele
Avião fazendo
Aquele barulho
Que todo dia
Me acorda de manhã

Biblioteca

Olhando pela janela
Cutucando o rosto
Roendo as unhas
Lendo um livro
Cientifico a quase
Duas horas sem parar.

Olhando as letras
Se camuflarem
Como uma só
Meu pensamento voa
Coçando a cabeça
Para ver ela parar.

Jogo o livro longe
Perco a paciência
Já não sei mais estudar
Talvez não queira,
Aprender a verdade
Só quero ver o tempo parar!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Só o tempo

Dedico minhas palavras
mal formadas para o vento
que sussurrou as mais belas
respostas em minha mente
confusa de sentimentos
e completa de idéias
que formaram-se
com o tempo
e só o tempo
pode ler!

Forasteiro

Longe daqui
Forasteiro
Sem livro para ler
Longe de casa

Sem destino
Sobe montanhas
Atravessa vales
Nada os rios e lagos.

Sempre sozinho
Em seu caminho
Vive a refletir
Nunca a repetir

Sentado no topo de uma cachoeira
Com sua vara de pescar, forasteiro
Tentando fisgar os sonhos do mar
Pescando apenas desejos no céu

Longe de casa forasteiro!
Você transpõe obstáculos
Do lado de casa
Apenas da à volta.

Neste mundo
Vasto de conhecimento
Carrega contigo sentimentos
Esquecidos pelos outros

Imortal, anda pelo caminho das estrelas.
Desconhecido, corta lenha e constrói novos caminhos.
Esquecido, usa a lenha para construir pontes.
Sentimental, observa o seu legado.

Aos poucos a saudade aperta
Olhar para trás jamais,
Trilhando segue até encontrar
O brilho do seu olhar...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Grite na casa

Naquela casa mora
Um garoto que todo
Dia grita suas magoas.
Dizem que é louco
Outros dizem que é cego
Outros mencionam
Sua genialidade.
Mas o fato é:
Ele grita todo dia
Sem falta e agonia!
Dizem que o problema
São os pais ou a falta deles
Mas sempre tem aquele que
Fala o que pensa não
O que sabe.
Se é de tristeza
Ou Dor
Grita o menino louco!
Ninguém nas redondezas
Nunca pensou em ajudar
Especulam as causas de suas amarguras
Todo dia sem frescura.
Tem quem diga que é fofoca.
Alguns dizem que ele é doente
Mas a grande maioria ignora

Eu já moro aqui a alguns anos
E todos os dias eu ouvi ele gritar
No pé de meu ouvido...
Naquela casa todo dia grita
Um menino...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Quando eu te escrevi

Quando eu te escrevi
Tinha as melhores
Lembranças Em mente

O gosto do seu beijo
A intensidade de seu abraço

Quando eu te escrevi
Queria atingir a perfeição
E quem não iria querer

Cor dos seus olhos e cabelos
Suavidade de sua pele

Quando eu te escrevi
Tentando usar palavras
Rebuscadas o bastante

A suavidade de suas idéias
E a melancolia de seus ideais

Quando eu te escrevi
Tentando te descrever
Com a mais perfeita sincronia

O cheiro de seu perfume
O brilho de seus brincos

Oh, querida!
Quando eu te escrevi
Fiz minha melhor poesia

domingo, 24 de agosto de 2008

DeJa-Vu (para Dayane)

E lembro do dia de hoje
Posso ver o que ela
está tentando,
Dança cada passo
Tentando me seduzir.
Faz cada movimento
Tentando me capturar
Em sua teia de ilusões.
Eu me lembro de hoje
Como se tivesse vivido
Ontem o agora
Cada balançar de cabeça
Gesto com as mãos
Eu sei quais são suas intenções
Seus desejos mais internos.
Como eu sei de tudo isso?
Como se já tivesse estado aqui,
Mesmo antes da musica começar
E todos no salão a bailar.
Seus sapatos rangendo
E dedos estalando
Farfalhar de vestidos e ternos.
Eu consigo ver cada movimento
Segundos antes
E sorrio
Pois eu sei
E não me movo um único centímetro
Nem para a esquerda
Nem para a direita
Observando a brincadeira
Engraçada que acontece
Em minha cabeça
Desejo que as janelas iluminem
Um pouco mais o momento
Desejo que as janelas iluminem
Os vultos dançantes.
O homem no final do corredor
A faca em minhas entranhas.
Levando de mim, um pouco de tudo.
Com um sorriso no rosto
Vejo a malicia de toda minha vida
Sendo tragada para fora de meu corpo...

Dedico estas palavras a uma querida amiga, que mesmo morando tão longe tem um assento reservado, no trem (que devido a maravilhosa tecnologia da atualidade) passou mais cedo na vida dela... Quem sabe quando iríamos nos conhecer se vivêssemos nos anos 20? Ou ate mesmo nos anos 90... Provavelmente nós nunca iríamos nos encontrar e se esbarrássemos na rua olharíamos um para o outro com raiva “filha da puta peça desculpas”
Dedico as palavras de DeJa-Vu para você, pelo simples fato de num domingo sem lua, estar caminhando pelas ruas de onde eu moro pensando nestas palavras, logo após sentar neste nefasto computador, que sugou toda minha energia, que estava concentrada na poesia. Fizeram-me esquecer cada palavra que pretendia escrever assim que chegasse em casa. Quando falei com você lembrei que tinha que escrever e todas as palavras voltaram pras minhas idéias como deveriam estar desde sempre.
Esta “poesia” foi legal de escrever... passei alguns longos minutos tentando lembrar a palavra certa para “movimento de mãos” e não conseguia de jeito nenhum achar aquela maldita palavrinha escondida no mais estranho “gesto” em minha cabeça... conversando com outra amiga(Julia) ela me fez lembrar(ela me disse) qual era a palavra que eu tanto queria... o maldito gesto...

Para você Dayane que eu terminei de escrever o começo de algo que parecia besta e se tornou em algo mais do que interessante. Espero que goste, mesmo que ainda n seja algo sobre sua pessoa. Esta vai demorar um pouco mais... e no dia em que eu escrever sobre você eu nem se quer coloco o texto aqui te dou e deleto do meu computador.
Beijos querida amiga.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu vi isto em meus sonhos!

Vi como cada pessoa muda
A cada segundo, a cada respirar.
Nós seres vivos, humanos!
Não somos mais os mesmos.
Até mesmo pequenos pensamentos
Mudam com a gente.
A cada bocejar, piscar de olhos.
Não permanecemos os mesmos.
Nossas células multiplicam-se,
Reproduzem, morrem.
Eu vi em meus sonhos, pode acreditar!
Que a cada luar, quebrar de onda,
Florescer de uma nova rosa, o canto dos pássaros.
Cada caminhar na praia, pescaria ou natação,
Sanduíche preparado, fruta colhida no pé.
Cada ser humano mofava quando morto.

Sim, eu tive este sonho.
E foi pedido a mim, mostrar que tudo muda.

O curso do rio, a altura das arvores, a direção do vento
Os pássaros migratórios viajando para um novo destino.
As baleias e suas cantorias, o pulo dos cangurus.

O homem também! Muda sua cabeça,
Guarda suas lembranças
E aguarda um futuro incerto
Pois se sabe, que a morte é o final.
Mas o nascimento é a esperança.

A cada respirar, piscar de olhos...
Lagrimas e alegrias.
Tristezas e solidão.
Todo homem muda,
Disseram-me isto num sonho...
Daqueles que você acorda e acha que tudo era verdade.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Poeta anarquista 6

Sou um poeta anarquista
Eu gosto de carne
E de desentupidor de pia.
Compro roupas baratas
E uso durante anos.
Todas rasgadas e cheias de baratas
Eu as jogo na rua
Aonde pobres meninos
Irão bater a sujeira e vestir a camisa
Cobrindo as feridas
Cicatrizando com fome de mais feridas.
Se pudessem estariam vestidos
Da cabeça aos pés da mais pura e verdadeira lã.
Pois faz frio lá fora
E eles sabem disso.
Até em cuba eles sabem disso

(se parar para pensar nesta linha de raciocínio, perceberá que ela nunca vai ter um fim... ou um Fim realmente sólido, pois eu posso hoje concretizar que minhas idéias acabaram e eu não vou mais escrever sobre o "poeta anarquista", você bom amigo e leitor, perceberá claro que eu poderia muito bem continuar até o fim dos dias... mas como um bom observador, saberá que eu gosto de começo, meios e fins... passe a analisar meus textos como realmente um único texto perceberás claramente uma evolução nas idéias e o fato de finalmente eu me declarar para todos significa o começo do fim. este "poeta anarquista 6" foi tendencioso, tive medo de quem me conhecesse um pouco mais olha-se e falasse "só falas nestes temas por estar estudando isso na faculdade e bla bla bla..." eu quero é que quem pensa assim se foda... ate parece que eu nunca tive uma consciência sobre o assunto... mas não vou explicar os temas, acho que meus poucos leitores são capazes de entender pelo menos 80% do que digo. pois no fundo no fundo eu escrevo isso para um dia no futuro eu reler meus poemas e textos e rir um pouco de como era ingênuo)

O ato de dar boa noite

O ato de beijar
É simples
Como O ruflar de asas
de uma libélula
Numa tarde ensolarada
Adeus e até logo

O Ato de abraçar
É se entrelaçar
E sentir o rufar dos corações
Batendo junto um do outro
Formando uma eterna batucada

Lhe desejo boa noite
Pois não há nada de errado
Com o painel noturno
Salpicado de pequenas estrelas
Que rodopiam alegremente
Sobre os meus olhos
Deitarás a luz da lua
Cantando a canção de ninar
Mais assustadora que lembrar

Para concretizar
Pequenos detalhes
pelo correio mandarei
meus beijos e abraços

Tem um certo motivo para eu ter escrito essas palavras nesta noite chuvosa de segunda feira(dia 11/08) não é o fato de ser noite, e nem de estar uma tempestade daquelas que vemos em filmes de terror. mas os motivos pelos quais eu escrevo certas pessoas que me conhecem vão entender... e se um dia eu fizer parte dos estudos literários este pequeno trecho será um enigma eterno!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Tão inocentes

Observo a chuva passar
O lixo transbordar
E os cachorros de rua
Pulando assustados

Seus olhos tão inocentes
Trazem a clareza inesquecível
De tanta beleza
Ficam no seu encalço
Por um pedaço

Eu seco, e confortável.
Lendo um romance
Vendo tudo de ruim
Passar de relance
Lentamente...
Olhando pela janela
Vejo seus olhos
Tão inocentes

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Rilke

"Obras de Arte são de uma solidão infinita, nada pode passar tão longe de alcança-las quanto a crítica. Apenas o amor pode compreendê-las, conserva-las e ser justo em relação a elas" Rilke

domingo, 3 de agosto de 2008

Poeta anarquista 5

Se achas que zelamos por nossos poemas
Como zelamos por nossos filhos
Não estará muito enganado,
Muito menos correto.
Temos tempo para duvidar,
e podemos contemplar a vida.
Não fazemos nada de errado
Mas o certo passa longe
Do outro lado da rua, de cabeça baixa
Pegamos alguns trocados
E colocamos no primeiro chapéu
Artistas de circo, artistas de rua
Putas baratas
Sistema?
Quem precisa deles?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Poeta anarquista 4

Lembre de nossos salmos de loucura
Lambemos o ventre venenoso
E comemos maçãs sem pensar
Beijamos o vinho
Como beijamos nossas esposas
Sentamos de pernas cruzadas
Com nossas canetas de tinta invisível
Para perpetuar nossos sonhos.

Poeta anarquista 3

Louvamos seitas satânicas
E dançamos ao sabor da morte
Não ligamos para nada,
Cavamos a nossa própria cova
Defecamos em cima de nossos livros
Quem liga?
E quem realmente tem que se importar
Alem das traças da biblioteca!?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Poeta anarquista 2

A mentira que Nós contamos
É um labirinto sem fim
Figuras de linguagem
Conjugações verbais e sujeitos figurados.
Um inferno sem tamanho
Juntamos de forma bonita coisas feias
Falamos sobre a tristeza de forma simples
Rimos da sua cara
Machucamos o seu ego
Não Estamos nem ai, apenas escrevemos.
E você leitor?
Acha que o poema tem a sua cara?
Raramente lembramos das pessoas
Que lêem nossos romances enrustidos

terça-feira, 29 de julho de 2008

Poeta anarquista 1

Vou anarquizar seus sentidos
Explodir sua lógica
Esmagar a métrica
Os sons e rimas não vão existir
Eu sou um louco com um pedaço de papel
Um criminoso com um lápis na mão
Ponho tudo que me vem à cabeça
Dentro das pautas de uma pagina em branco
Rasgo e amasso
Nunca refaço
Pego minhas idéias e coloco num compasso
Enfio meus sentimentos garganta adentro
Toda minha vil concepção do mundo
Em versos escritos em cinza.

Os três mal amados

"Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."


João Cabral de Melo Neto

domingo, 27 de julho de 2008

Algo distante

Ando cansado, com sede
Cacos de vidro perfuram minha pele
Jóias em volta dos braços
Meus ouvidos sangram
Minha garganta dói
Mantenho minha mão junto da sua
Corpo com corpo
Palavras sem sentido.

Vamos tocar piano
Cantarolar o caos
Dançar ao som do vento
Saborear o orvalho das manhãs macias
Apenas observar as nuvens passar

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Tiras de papel

Traços e quadrados
Estilhaços voando contra a parede
Fungos crescendo por todos os lados
Sangue, ferro, ácido sulfúrico
Risadas histéricas, confusão mental
Rios de flores brancas manchadas de petróleo
Eucaliptos jogados fora em tiras de papel,
Em pequenos versos!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Só para exercitar

Correndo de mente aberta
esperando cada idéia se exercitar
por que somos loucos
e loucos não medem as conseqüências
do que pensam, falam e fazem
vão e pimba, estão debruçados na janela
de olho nela, querendo voar
o sabor dos seus olhos, a cor de seu sorriso
a borboleta e o avião
prefiro ficar no chão...
não quero ser chamado de careta,
mas prefiro não abalar com meu rock and roll
eu vou ficar na minha
cigarro, bebida e bicicleta
computador, maconha e acido
vou abrindo minha mente só para exercitar

Todo um contexto por traz dessas palavras

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Texto reflexivo?

Andando nas ruas de recife, Não vejo anda alem de caos e sujeira. A morte bate minha porta, palhaços nas esquinas, crianças brincando com fogo, Cachorros sarnentos e sem pelo. Me entristeço de ver essa loucura e não poder fazer nada, em pleno ano eleitoral para os prefeitos, que só querem usurpar o poder, e comer nosso cú. Alguns vão me dizer que votar no prefeito correto mudaria o quadro insano da população. Eu tenho nojo de mim mesmo, fugindo dos aspectos sujos que me seguem. Na bagunça do dia a dia, eu me perco. Corro sem direção para me esconder e chorar baixinho, com vergonha. Tenho que ter coragem de gritar pro mundo o que esta errado, mas eu não tenho. Fico caladinho no meu canto, escrevendo poesias sobre amor, enquanto eu deveria estar escrevendo sobre a relação da coca-cola com João o Mendigo.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Paciência

"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para"

Uma barata chamada Kafka

"Ofereci a ela um disco do Sex Pistols
Ofereci a ela uma batida de limão
Perguntei se ela gostava dos beatles
Perguntei se ela era de escorpião
Ela disse sim vem cá ficar comigo
Sim! Gosta de tudo que eu gosto
Sim! Vem cá ficar comigo
Sim! Vem, kafka"

Franz Kafka

Todos os erros humanos são impaciência, uma interrupção prematura de um trabalho metódico.

Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece.

Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós.

O tempo é teu capital; tens de o saber utilizar. Perder tempo é estragar a vida.

A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua.

As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Advogado do Diabo

"who are you? Satan?"
"hum... Call me Daddy"

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Caverna de platão

Vou transformar minha caverna escura e úmida, num abrigo confortável. Vou enveludar todas as pedras e iluminar o canto mais obscuro. Transformar cada visão de um mundo melhor, num mundo melhor. Vou caminhar para um lugar sem sombras imperfeitas. Será que existe um lugar perfeito? Seria a caverna o lugar imperfeito?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ideal

Ideal

"Quero-te assim, formosa entre as formosas,

No olhar d’amor a mística fulgência

E o misticismo cândido das rosas,

Plena de graça, santa de inocência!

Anjo de luz de astral aurifulgência,

Etéreo como as Wilis vaporosas,

Embaladas no albor da adolescência,

-- Virgens filhas das virgens nebulosas!

Quero-te assim, formosa, entre esplendores,

Colmado o seio de virentes flores,

A alma diluída em eterais cismares...

Quero-te assim -- e que bendita sejas

Como as aras sagradas das igrejas,

Como o Cristo sagrado dos altares."

Augusto dos anjos

terça-feira, 15 de julho de 2008

Sobre aqueles textos e flores

"Quando falo que és tão frágil quanto uma rosa
Dezenas de versos poderiam sair
E em brumas terminar
Quando menciono o seu perfume doce de jasmim
Meus poemas perdem a rima
Posso escrever sobre orquídeas, margaridas e papoulas
Cor e sabor
Os jardins são os livros mais fáceis de ler
Hoje sorri a mãe natureza
Para amanhã sorrir a jovem gazela"

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Quem ainda sou?

Nos descuidos da noite eu aprendi a olhar o céu. Sem estrelas ou lua. Refletir um pouco, observar o mar. As horas passam pelo relógio e nem mandam lembranças quando se vão. Sorrisos e bocejos, soluços e sustos, meus dias não passam de tédio e suor.
Vou ser um cientista ou um poeta? Um louco ou vou tentar ser normal, sem voltar para aquele papo de normal é isso e aquilo. Posso estar com saudade de alguém que já se foi, mas também sinto falta dos vivos. Escrevo pouco nos últimos dias, pois não quero que meus textos saiam com ritmo ou soe como uma musica pop dos beatles. Amo deitar na cama e ler um bom livro, ou escutar uma boa musica. Mas os livros não me dão tanto prazer quanto me dava anos atraz, quem eu ainda sou?

I'm Happy just to dance with you

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não escrevo

Não escrevo, pois hoje eu sinto
Noites mal dormidas
Equívocos sonhados...
Paixões ardentes, e visões nuas.
Desilusões, lagrimas salgadas
Caos e ordem, desejo e delírio.
A escada desce, O chão abre-se no meio
A água doce, aguardente.
Enxofre, lasanha, gás de cozinha.
Banco de praça, casal de namorados.
Meus sonhos esguridos por donzelas
Pesadelos com putas!
Sonhos equivocados...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mad World

"All around me are familiar faces
Worn out places, worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression, no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tomorrow, no tomorrow

And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world mad world

Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday, Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen, sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me, no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me, look right through me"

domingo, 6 de julho de 2008

Nietzsche sobre o amor

Eu procurei pelo texto integral para por aqui... ams só ahcei a frase mais celebre... tudo bem que eu não sou nenhum pesquisador muito bom no google, e nem um ocnhecedor assiduo de Nietzsche

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."
se eu encontrar o texto todo colocarei aqui

A morte de meu passado não vivido

Estou com um sentimento de falta. A morte sempre me faz pensar a respeito, Voltei com a lembrança nostálgica da morte de meu pai. Sofrer por anos a fio é o suficiente, não acham? È mas as vezes me dano a chorar, e a buscar um passado inexistente onde eu tenha vivido uma boa parte de minha vida com ele... Através da musica é que eu encontro um refugio para meus pensamentos. Com 15 anos eu era poeta... mas lendo um texto do Leminski "Poesia etária", passei a me perguntar se quando eu terminar a faculdade vou continuar fazendo poesias, e aos 45? E perto de morrer?
Tem quem diga que eu sou muito parecido com meu pai, e as vezes acho que trilho o mesmo caminho que ele, foi por acaso o fato de eu não conhece-lo nem um pouco bem, para falar sobre o assunto? Realmente chega a ser bizarro o fato que eu não o conheço NEM um pouco bem, não sei seus gostos, qual seria a sua cor favorita?
No começo do ano meu psicanalista morreu, e naquela época rebusquei meu passado em lembranças perdidas, sonhos esquecidos e idéias estranhas. Hoje eu volto a me aproximar dos tempos remotos e inexistentes em minha mente como se fosse algo comum. Cheguei ao cumulo de perguntar se ele gostaria de mim... Eu não tenho como saber. Mas sabe? Não adianta ficar com lagrimas nos olhos não mais. Sigo meu caminho quem sabe do outro lado eu não o encontre!

sábado, 5 de julho de 2008

Excrescência Ornamental - Leminski

"eu não sei se todos os povos amam seus cientistas, mas todos os povos amam seus poetas.Os poetas são amados por milhões;por que os povos amam seus poetas? é porque os povos precisam disso os poetas dizem uma coisa que as pessoas precisam que seja dita, o poeta não é um ser de luxo, ele não é uma excrescência ornamental da sociedade, ele é a necessidade orgânica de uma sociedade, a sociedade precisa daquilo... daquela loucura para respirar.É através da loucura dos poetas, através da ruptura que eles representam que a sociedade respira."

Leminski

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Notas sobre o amor

Douglas adams disse algumas palavras sobre o amor...
pequenas notas

"O amor é um sentimento demasiado difícil de se explicar."

"Evite, se possível"

"Amor: Como ser Esperto o Suficiente para Entender, Paciente o Suficiente para Procurar e Burro o Suficiente para Encontrar!"

er... Douglas Adams XD
mestre do humor negro?

Bicho de sete cabeças

"As coisas ficam muito faceis quando se esquece, mas eu não esqueci o que você fez comigo. Agora você vai me escutar, vou te mostrar a porta para você poder sair sem eu te bater"

Trecho que eu tirei de cabeça do filme "Bicho de sete cabeças" eu acabei de assistir por sinal...
excelente

e para ampliar um pouco o post um trecho da música "Bicho de sete cabeças" de Geraldo Azevedo

"Não dá pé não tem pé nem cabeça
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez defeito
que você me fez desapareça
cresça e desapareça

Não tem dó no peito
não tem jeito
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem pé não tem cabeça
não dá pé não é direito
não foi nada, eu não fiz nada disso
e você fez um bicho de sete cabeças"

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Go out and Shout

All I want is you

"If I was a flower growing wild and free
All I'd want is you to be my sweet honey bee.
And if I was a tree growing tall and greeen
All I'd want is you to shade me and be my leaves"

All I want is you - Juno soundtrack

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Carta embalada ao som do waits

Este foi o primeiro texto que escrevi ouvindo Tom Waits, eu amadureci a idéia em outro uns meses depois, ele já foi disponibilizado aqui ( O jazz embala minha noite ) esse poema é uma releitura da musica "the part you throw away" do cd blood money

"A voz do Tom Waits
Embala minha vida
Bebendo a cerveja mais gelada
E lendo todas suas cartas de amor
Mas, você me deixou
O tempo é só uma memória
Eu sou a sua parte
Que você jogou fora
Todas as rosas morrendo no vaso
O disco do Tom Waits embala
Minhas noites de sono
Agora suas cartas estão no fogo
E minha vida ate agora foi só um mapa
E meus ossos apenas seguram minha carne
Estou fechando a porta."

domingo, 29 de junho de 2008

I've just seen a face - Beatles

Vou contar uma historiazinha antes de colocar essa música "era uma vez um filho de um pai fanático por música... fã dos beatles e dos roling stones, do floyd e do led zeppeling... ele morreu quando seu filho mais novo tinha 4 anos e nada pode ensinar. Essa pobre e triste criancinha cresceu com a mãe, opereira e ligeiramente fã de musica latina e espanhola. Quando criança escutava qualquer porcaria que me enfiassem nos ouvidos... Fui crescendo, gostei de punk, depois de heavy metal e hoje cheguei ao jazz. mas convenhamos passei minha adolescência frustrado por não gostar dos beatles nem do pink floyd, única banda que eu gostava antes era led zepelling que minha mãe opereira me influenciou... mas a um tempo eu estou com a idéia nostálgica de recuperar o meu passado com meu pai, okey... essa idéia é macabra e nojenta... ele morreu e eu n tive um passado consciente com ele... mas finalmente eu passei a gostar de beatles graças a uma pessoa extremamente querida... e pink floyd numa tarde tediosa de sol e ridiculamente quente trancado no quarto escutei "dark side of the moon" "wish you were here" e "the wall (part 1)"
minha vida mudou ALELUIA... “have a cigar” do floyd mudou minha concepção de vida..."



"I've just seen a face,
I can't forget the time or place
Where we just meet.
She's just the girl for me
And want all the world to see
We've met, mmm-mmm-mmm-m'mmm-mmm.
Had it been another day
I might have looked the other way
And I'd have never been aware.
But as it is I'll dream of her
Tonight, di-di-di-di'n'di.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again.
I have never known
The like of this, I've been alone
And I have missed things
And kept out of sight
But other girls were never quite
Like this, da-da-n'da-da'n'da.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again."

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Nomes

Temos nomes por não conhecermos a nós mesmos.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Coraline

"We are small but we are many
We are many and we are small
We were here before you rose
We Will be here when you fall"

Neil Gaiman, em Coraline

A mercê

Hoje estou um pouco a mercê do vento, assobiando e um pouco perdido

The power of one

"No one was born to be a servant or a slave.
Who can tell me the color of the rain?"

Sonata arctica - the power of one, silence(cd)

Como icaro

Quem nunca imaginou ter asas e poder voar? para depois queimar e cair!
quem nunca enlouqueceu por não poder fazer nada?
Pouco seria humano se não almejasse o impossivel e alcançasse o invevitavel!
Quem nunca seguiu os passos do pai, e não viveu sua propria vida, seu proprio sonho?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O jazz embala minha noite

O jazz embala minha noite
Deixo a melodia soar
A chuva na janela
O café e o cigarro
A voz do Waits Gritando nos meus ouvidos
Coisas tão lindas que dão vontade de chorar
Cantando a miséria do homem
Ensinando-me há ser um pouco diferente
A ser mais eu mesmo
Osso e alma.
Posso ate estar com frio
No coração desta canção
Mas balanço o corpo no ritmo certo
Oh Tom
Não somos tão sozinhos assim homem
Todos nós queremos amar
Mesmo que no final, doa.
Oh Tom não pare de cantar!