domingo, 13 de março de 2011

Noites de silêncio

Uma musica ruim
rosoa na sala.
a festa cresce,
a gente muda,
dança
o som dos espiritos
que em noites caladas,
estrondos surdos,
dostroi consciencias
acordadas, de tanto
requebrarem a alma.
a calma acontece,
nas festas, que nem sabe-se
quem é,
aquilo que os copos dizem
em noites de silêncio

sexta-feira, 11 de março de 2011

escrevo

existe quem não saiba que eu escrevo
nem o que escrevo
nem entendem quando lêem
mas, eu não escrevo para eles.

Haikais(11)

Lendo o dicionário
o povo inteiro
vai se sentindo otário

terça-feira, 8 de março de 2011

Dicionário(2)

tem dias que o brancor das páginas
ocupa a vaga das rimas
e todas as palavras dadas em ritmo
perdem-se nas miúdas
letras de um dicionário
dito o esquecido
parte pras margens do poema,
a inspiração!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dicionário

tem dias que ao virar
a página do dicionário
os sentidos sentem
e cada palavra é,
aquela que quer ser!

Ao poeta budista

Quando o poeta budista
Começou a medir distância
Em beijos, sua poesia afundou
1000 beijos na profundidade da alma
[Abraçou forte o âmago humano]
Sufocou a voz do silêncio
E ela gritou
A dor dos 1000 beijos de profundidade

sábado, 5 de março de 2011

Haikais(10)

O Bacurau
engolindo e cuspindo gente
e por ai vai o carnaval

sexta-feira, 4 de março de 2011

Pés marcados

A desmedida do contrario
Uma noite inteira no trabalho
Tormentos de um sonho mau vivido
Olheiras corroendo o mundo
E a poesia comendo a alma
Minha ama desnutrida
Inteiramente corrompida
Olhos que vêem o mar das trevas
A fumaça que controla os atos vãos
Língua amarga e ácida
Feridas abertas na calçada
A calma lavada pela lágrima
Nuvens carregadas de angústia
Tristeza e mágoas
Flechas cravadas na cabeça
Um coração rachado no meio
Sangrando nas engrenagens
De pés marcados
por espinhos sagrados.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Haikais(9)

Banco azul, indefeso.
O sol da manhã ataca
e ele ali, ileso.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rimas como contas

Escrevo em verso
Para ver em seu pescoço
As rimas em contas
Formando um lindo colar.

Quando a linha acaba
Ou rompe
As contas sobram
Esborram num pote

E a alma de poeta
Tenta juntar uma a uma
E formar um rosário
Para então rezar 108 vezes

A paz interior
Restaurada novamente
Se vê inteira num poema
Escrito e bem guardado na gaveta.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BAB

Cê que Há
Lê ter Lá
Tê ceu Cá
Bê ... Há
... Bá ...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Defunto vivo

Morto pelo o quê ninguem sabe o porquê
Vivendo no escuro mundo do esquecimento
Negro de camisa azuis, meias brancas como nuvens do céu
Arrancado do solo fertilizado, pelo seu suor e lágrimas
Depois de 3 anos e 8 meses desenterrado inteiro
Vivo em pedaços de lembranças trágicas
De moribundos transeuntes, vagabundos assaltantes
Acabou o sono de beleza
Pele intacta cabelos arrumados e engomados
Levante e ande!*

*verso inicial da musica "sopa de samba" do compositor Glauco César II

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tártaro ao longe

Quando a noite revela os segredos da ida
Ao completo esquecimento, treme a vida
Que teme existir por completo perdida.
O peso das lagrimas estranhas
Que cobrem rostos esbranquiçados,
Pelo medo e a dor, em completos transes diurnos.

Morpheus me abraça e me leva contigo
Carrega esta pária desalmada para os becos do sonhar
Onde as cores lisérgicas saltam
E os fluxos sonoros desenham lindas figuras inimaginárias
Em meus tímpanos desprotegidos.
Sangro vagarosamente em meu leito de morte
Enxergo o tártaro ao longe...
Vivo atormentado pelos fantasmas
Da vida seca e gelada
Que levo aqui em pleno acordar

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Haikais(8)

A lágrima vai
Lavar o homem
O passo dado em esquecimento cai

O diabo carregava o terço
Brincava com o mundo
Como se fosse mudo

Explosão sentimental

Explosão sentimental
Gritos alheios de superioridade
O que leva um homem a achar que é melhor do que o outro
Sua posição social
Sua arrogancia inerente
O mundo converge ao cataclisma social
Não existe mais uma relação interpessoal
Jogaram fora o amor mutuo
No nucleo da bomba H
Holocausto racial
A santidade inegavel dos homens sem comida
Sem agua e sem respeito
Em brigas descomunais
Com o dedo apontado no peito
Deus riu de vergonha
Sua imagem e semelhança
Destruindo-se por orgulho
A vida inteligente acabou

Poesia anarquista 19

Onde escondeu-se a poesia
Empoeirada no canto da parede
Que eu guardava para a poesteridade
Esquecida na dor que um dia esvaiu
Das mãos fracas do sábio ancião.
Onde coloquei o livro
Que demorei a vida para escrever?
Meu filho nasceu
O folego abriu
O menino chorou
E quero ler ao mundo, fazer brilhar o poema
Eclodir no dia e ecoar no mundo
Uma louvação ao nada
Pois a miséria dos meus pensamentos
Encontrou um solo fértil
Para plantar esperança
De tanta coisa dita em vão
De tantos prantos em adoração
Pagã de coisa futil
Poemas congelados
No vacuo de um acontecimento

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sarah os corações

Sarah os corações abandonados
com seu olhar de princesa
e seu canto angelical.
seu jeito de criança sapeca
encanta os loucos da avenida central
pássaros e brinquedos
fazem parte do seu reino celestial
sua face dominical
alegra a passagem terrena de qualquer mortal
trouxe paz aos desesperados
irmãos e amados
neste mundo bestial

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quantos anos?

Acordei no meio da noite
Desesperado por não saber quantos anos tinha,
Uma poesia inteira se desfez
Em murmúrios de datas e idades,
Rimas completando as eras geologicas
Da vida medíocre e humana.
Afinal, havia esquecido a poesia...
E continuei a perguntar, quantos anos eu tinha.
Batia a duvida se estava vivo,
De quem eu realmente era,
Parecia alguem despertando em uma casca inteiramente nova.
Voltei a dormir com a vaga lembrança,
De ter 44 anos, e de que minha morte aparente estava próxima.
Mas afinal quantos anos eu realmente tinha?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

tornar-se-ia furacão

Longe eu vi
O céu avermelhar
Os relâmpagos amarelos
Rachar a abóbada em cacos chover
Sem forma se torna uma profecia
Sem gosto entorno um furacão
Função então sei não